{"id":1594,"date":"2023-04-21T02:36:12","date_gmt":"2023-04-21T00:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/residence-secondaire.eu\/?p=1594"},"modified":"2023-05-10T15:57:58","modified_gmt":"2023-05-10T13:57:58","slug":"residencia-lisboa-dia-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/residence-secondaire.eu\/en\/residencia-lisboa-dia-4\/","title":{"rendered":"RESID\u00caNCIA LISBOA : Dia #4"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mouraria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rua do Benformoso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>13\u00baC<\/strong> <em>Amanh\u00e3 deve chover<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acord\u00e1mos contrariados, sabendo que devemos j\u00e1 muitas horas \u00e0 cama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pela primeira vez desde que cheg\u00e1mos, atravessamos os limites da Mouraria para ir ao encontro da Rosi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 uma brasileira apaixonada pela sua p\u00e1tria, tendo trabalhado como locutora de r\u00e1dio e como actriz. Compara a sua terra natal, Volta Redonda, banhada pelo rio Para\u00edba do Sul, com a rela\u00e7\u00e3o entre Lisboa e o Tejo. L\u00e1, o padroeiro \u00e9 Santo Ant\u00f3nio, aqui \u00e9 S\u00e3o Vicente. Conta-nos ainda que o povo, quando faz uma promessa, coloca uma est\u00e1tua do santo, de cabe\u00e7a para baixo, no congelador. Idiossincrasias da tradi\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Est\u00e1 em Portugal h\u00e1 j\u00e1 alguns anos e dedica-se ao <em>Migrantour<\/em>, um projecto de visitas guiadas por Lisboa na perspectiva de um imigrante. Fala-nos da Mouraria brasileira, em Salvador da Ba\u00eda, onde a cal\u00e7ada \u00e9 portuguesa e as fachadas pombalinas. S\u00e3o duas Mourarias, semelhantes em forma e em nome. \u00c9 dif\u00edcil acreditar que as separa um oceano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A Prop\u00f3sito da bandeira brasileira:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cO amor por princ\u00edpio, a ordem por base e o progresso por fim\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Auguste Comte<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Largo de S\u00e3o Domingos, o Sol j\u00e1 queima a pele. Entre transeuntes e turistas na fila para a Ginjinha, conversamos sobre a simbologia daquele lugar e das v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es que sofreu ao longo dos s\u00e9culos. Sentimos bem presente a mem\u00f3ria do Pal\u00e1cio da Inquisi\u00e7\u00e3o e do massacre aos judeus em 1506. Ao fundo, no Rossio, a est\u00e1tua de D. Pedro IV \u2013 D. Pedro I, no Brasil \u2013 une ambos os povos numa comunh\u00e3o h\u00e1 muito pacificada. Dentro da Igreja que d\u00e1 nome ao Largo, sentimos as chamas que a engoliram em 1959.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00e1 fora, tr\u00eas vendedoras, protegidas pela sombra de um jacarand\u00e1, exibem garridas vestes africanas. Em cestas de vime, apresentam uma pan\u00f3plia de frutos secos, malagueta e quiabo. Compramos cajus e amendoins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Quem sou eu na fila do p\u00e3o?&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Terminamos o nosso passeio, na Severa, de m\u00e3os dadas, acompanhados de um poema cantado pela Rosi. Seguindo uma coreografia atrapalhada, inspirada pelo pisar das uvas na vindima, encontramos nos p\u00e9s as refer\u00eancias do Samba do Gonzaguinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ah, meu Deus!&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Eu sei, eu sei&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Que a vida devia ser bem melhor&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>E ser\u00e1!&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Mas isso n\u00e3o impede&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Que eu repita:&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8216;\u00c9 bonita, \u00e9 bonita,&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>E \u00e9 bonita&#8217;.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Viver e n\u00e3o ter a vergonha&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>De ser feliz&#8230;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Parreirinha, esperam-nos o Miguel e o Lu\u00eds para almo\u00e7ar. A coincid\u00eancia de serem ambos Coelho n\u00e3o \u00e9 mais do que isso mesmo. O Miguel \u00e9 Presidente da Junta de Freguesia, o Lu\u00eds o seu bra\u00e7o direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grelhador na rua antecipa a refei\u00e7\u00e3o caseira. As mesas da esplanada mais parecem uma sala de estar onde se encontra uma grande fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Como vai a sua m\u00e3e, est\u00e1 melhor?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Esse joelho, j\u00e1 est\u00e1 bom?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os nossos companheiros de refei\u00e7\u00e3o conhecem bem o territ\u00f3rio e as gentes da Mouraria. Reconhecem as diversas quest\u00f5es sociais e, entre garfadas e interrup\u00e7\u00f5es de quem vai cumprimentando o \u201cSenhor Doutor\u201d, reflectem connosco sobre o futuro. Fala-se da antiga rivalidade entre Mouraria e Alfama e de como hoje j\u00e1 tem menos express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>At\u00e9 j\u00e1 casam uns com os outros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima visita do dia \u00e9 ao Grupo Desportivo da Mouraria, uma colectividade com sede no antigo Pal\u00e1cio dos T\u00e1voras. A impon\u00eancia do edif\u00edcio contrasta com a simplicidade das ruas circundantes. Aqui, s\u00e3o not\u00f3rias as marcas do tempo. Entramos para um corredor estreito que nos conduz ao pequeno bar que, antigamente, era parte da cozinha do Pal\u00e1cio. As paredes e os tectos em ab\u00f3bada est\u00e3o cobertos por azulejos e a enorme chamin\u00e9 mant\u00e9m-se a funcionar. N\u00e3o fosse o balc\u00e3o em a\u00e7o inoxid\u00e1vel e a televis\u00e3o empoleirada no cimo de uma porta, regressar\u00edamos facilmente ao passado \u00e1ureo desta casa. Encontramos o Paulo. Foi, em tempos, presidente desta colectividade. Fala-nos com orgulho do seu tempo de dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Na parede, um recorte de jornal:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fado e Boxe no Pal\u00e1cio dos T\u00e1voras.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre um frenesim de gente, ouve-se m\u00fasica. J\u00e1 come\u00e7ou o ensaio da Marcha da Mouraria, que descer\u00e1 a Avenida daqui a menos de dois meses. N\u00e3o podemos partilhar mais pormenores, prometemos guardar segredo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mouraria Rua do Benformoso 13\u00baC Amanh\u00e3 deve chover . Acord\u00e1mos contrariados, sabendo que devemos j\u00e1 muitas horas \u00e0 cama. 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